Trigésimo nono escrito
Insuportavelmente teimosa. Insuportavelmente apegada ao que quer que eu entenda que cabe no postulado segundo o qual o certo é o certo. Cheia de razão, indo até a raiz (por isso radical). Mas beligerante? Uma princesa beligerante? Uma gatinha beligerante? A gatinha dele. Porque com ele, teimosa, radical ou beligerante, eu posso deitar e levantar os braços e dizer que sou dele. Porque com ele eu posso ser tudo o que escondo na cara de braba, nas frases fortes sobre enfrentamento. Porque com ele eu consigo ser a doçura que pode ser a minha fortaleza¹.
Quando eu faço um negócio pela primeira vez em seis anos, e quando os seis anos em questão são o intervalo entre 2019 e 2025, é tudo pela primeira vez. Porque eu não existia, o mundo não existia em 2019. Então a que tanto é que tudo me remete? Para onde é que eu não quero voltar, se já não há para onde voltar? É por não saber que eu fico olhando praquela cara linda dele com a minha cara de pamonha. E eu fico com medo que uma hora ele perceba alguma coisa, que a magia pare, que ele não queira mais, porque não é possível, mas aí são essas mensagens dele, sabe, e eu fico sem acreditar que isso está acontecendo. Do que eu tenho medo? Pra onde eu não quero voltar? Não há para onde voltar. Daqui pra frente é só… bom, pra frente². Espero que com ele. De mãos dadas. Logo eu, que detestava andar de mãos dadas. Mas as dele eu quero. Na minha mão e onde mais ele quiser. Porque onde quer que ele queira é um lugar que não existia antes. Porque eu não existia antes. Talvez nem ele. E aí não há para onde voltar.
¹Palavras que ouvi de uma amiga querida em um momento de emoções fortes e não esqueci mais. ²Eu realmente posso fazer um uso melhor das palavras do que isso.