Caderno de tanto

Segunda anedota - ventiladores em trânsito

No primeiro calor que fez em 2022 em Curitiba eu fui na Magazine Luiza da Marechal e comprei um ventiladorzinho branco. Desses que a gente chama de ventilador de mesa mas usa no chão. Depois quando ia receber amigas em casa na onda de calor extremo de setembro de 2024 comprei um ventilador preto na Pernambucanas da Tiradentes. No verão particularmente quente de dezembro de 2025 peguei um Ligeirão Norte-Sul carregando o ventilador preto pra casa do namorado, porque o ventilador dele fazia um barulho de turbina que o impedia de dormir. Mas poucos dias depois, ainda naquele dezembro sufocante, o ventilador branco se tornou o ventilador-vampiro, quando se atirou do varal de chão em que imprudentemente eu o havia apoiado e se tornou um monte de pedaços espatifados com que me deparei numa madrugada muito quente entre natal e ano novo, completamente bêbada. O que sobrou do ventilador branco ainda funcionava de forma muito mambembe, e ele me atacou em duas ocasiões em que esqueci que ele não tinha mais grade, por meio de mordidas que ainda estampam meus dois braços. Ato contínuo, namorado me enviou por uber o ventilador turbina no dia seguinte, pra que eu não ficasse só com o vampiro, que não era confiável (considerando inclusive as mordidas). Mas no mesmo dia o ventilador preto que eu tinha levado lá de Ligeirão também se atirou no chão, abdicando tão somente de uma hélice, que ajudava a lhe conferir estabilidade. Então ele resolveu comprar pela internet um novo ventilador, preto com azul, e me recomendou fazer o mesmo. Ele até consertou o ventilador preto removendo simetricamente outra hélice, e assim ficou com dois ventiladores em casa. Eu primeiro rodei todas as lojas e shopping centers da cidade a pé embaixo de um maçarico ligado sobre nossas cabeças apenas para constatar que não havia ventiladores à venda nesta cidade (sério, em lugar algum), e só então decidi comprar pela internet, um ventilador que achei que seria vermelho, mas quando chegou vi que era preto e vermelho, e sofri tanto pela ilusão como pela dificuldade em montar com minhas habilidades manuais lamentáveis. Fiquei descontente pelas cores do Flamengo e do Athletico Paranaense, mas fui lembrada pela minha amiga de que eram também as cores do Brasil de Pelotas, o maior time do sul do Brasil, e assim ele se tornou o ventilador Xavante. E assim fiquei com o Vampiro (que está aposentado mas ainda ocupou espaço aqui por algum motivo), a Turbina e o Xavante. Alguns meses depois, no calor atípico do outono de 2026, ele me pediu para levar de volta a Turbina, já que o ventilador do consultório não estava funcionando. Mas depois de levar a Turbina numa carona ele constatou que era só uma tomada do consultório que tinha mal contato, e levou de volta para casa a Turbina, agora dirigindo. E foi assim que cinco ventiladores cruzaram a cidade por muitos modais motorizados de transporte. Neste momento o Xavante é o único ventilador desta casa, suficiente após o fim do verão, apesar desse outono maravilhosamente quente. Mas tenho minhas dúvidas se essa história acaba aqui.