Caderno de tanto

Quinquagésimo nono escrito

10 de abril

Tenho muita consciência de que só existo em relação aes outres. Quem sou eu se não estiver contribuindo para essas relações? Fora do carinho que faz uma pessoa amada se sentir amada, fora das tarefas que constituem as atuações que escolhi em coletivos que escolho? Fora da responsabilidade com o lugar que me paga um bom salário? Fora da responsabilidade co o povo trabalhador que paga o meu salário? Fora da solidariedade de classe? Fora do cuidado com quem precisa de cuidado?
Eu acho que nada. Que não existo fora desses lugares. E acho que tudo bem? Acho que não é tentar existir sozinha, é viver bem com essa minha forma de estar no mundo. Vai ver vem daí toda a dor com a profunda transformação da minha relação com a corrida. Um lugar meu, só meu. Que não é sobre es outres, que não é sobre validação externa. É sobre ser dona de mim, e das ruas desta cidade.
Ou era.

(Meses depois desse escrito acho que retomei a cidade. Não que você estivesse se perguntando. Não que alguém esteja lendo. Mas)