Caderno de tanto

Quadragésimo escrito

Primeiro de novembro. A primeira vez que escrevi¹ foi meio maluca. Eram as frequências da Ana Flávia, um fluxo de pensamento caótico, e uma escrita que se iniciou como registro a posteriori e que depois virou um registro simultâneo de um encadeamento caótico de pensamentos. Ao longo dos meses essa prática mudou muito. Agora eu peguei o caderno sem nada em mente, sem nenhum pensamento, sem saber o que dizer. E daí sai uma espécie de meta-escrita. Incenso aceso, meu corpo ciborgue no sofá. Eu aprendendo de forma dolorida (em diversos sentidos) a lidar com meu corpo novo novíssimo novinho em folha. Com meu corpo novo e seus recursos que ainda não sei explorar, que veio junto com meu nome novo. Esquece tudo o que você sabia: é todo um conjunto de novidades pra explorar, e de algumas delas você não vai gostar. Isso tem me pego sempre de surpresa, e acho que não estou me permitindo dar a meu novo corpo ciborgue e a suas surpresas a atenção devida. E a gente sabe bem demais, Maria Guilhermina, o que acontece quando a gente não dá atenção às nossas tretas.

¹Nessa dinâmica né, a primeira primeira mesmo eu era muito pequena pra lembrar.