Nono escrito não indexado
Uma casa feita a muitas mãos, em diversos sentidos. Para que a casa pudesse existir pessoas queridas circularam por um corredor que já não existe e me deram apoios de diversos tipos – práticos e emocionais. As mãos que quebraram e reconstruíram coisas foram minhas primeiras visitas. A segunda visita foi a dona das mãos que fixaram o armarinho-espelho do banheiro e os parafusos das araras, que por sua vez haviam pertencido a mãos que tocavam o então melhor brechó da cidade. A organização do espaço foi feita, em noite de muita chuva, por mãos que deixariam suas marcas de tantas outras maneiras. Livros nas prateleiras, artes nas paredes, memórias impressas no piso e paredes. Móveis comprados só existiram graças a tantas outras mãos, de maneiras diretas ou indiretas – o aparador do quarto, o espelho, e até a estante que foi pensada para uma finalidade e virou totalmente outra coisa no curso dos afetos da vida. Se a cadeira amarela foi montada por mãos habilidosas e afetuosas, mesmo o sofá só existiu graças a mãos que precisavam de mais espaço pra passear pelas minhas coxas e por tanto mais onde. Se for pensar nas inspirações a coautoria da obra coletiva que é esta casa se expande quase indefinidamente. A todas as mãos que já passaram e ainda vão passar por aqui, informo que passei um cafezinho, fiquem à vontade pra continuar a construção. Minha casa é nossa casa.