Décimo escrito não indexado
Nada está dado de antemão. Não existe amor de mãe nem amor de pai. Não existe amor automático por ser mãe, pai, filhe. Ponto. Isto não é um debate. Todo amor é construído, cultivado, reconstruído. E é por isso que eu acho impressionante perceber o quão estratosférico, astronômico, monumental é o amor que eu e meu pai construímos ao longo desses trinta e sei lá quantos anos. Esses dias têm me causado esse espanto específico. A morte pode até doer, mas o que dói mesmo é o sofrimento. Mas ninguém pediu minha opinião. Nós controlamos muito menos do que gostaríamos. A morte será quando for, da maneira como for, com a dor que for. Só peço que ninguém me cometa a deselegância de dizer como sofrer, isso eu meio que já sei fazer.